up:: Trabalho
“Abstraindo da determinidade da atividade produtiva e, portanto, do caráter útil do trabalho, resta o fato de que ela é um dispêndio de força humana de trabalho. Alfaiataria e tecelagem, embora atividades produtivas qualitativamente distintas, são ambas dispêndio produtivo de cérebro, músculos, nervos, mãos, etc. humanos e, nesse sentido, ambas são trabalho humano. Elas não são mais do que duas formas diferentes de se despender força humana de trabalho.” (MARX, p. 121)
O trabalho abstrato é a abstração do Trabalho de toda sua característica útil/concreta. Ou seja, trata-se do que há em comum em todos os trabalhos (produtores de Mercadorias).
Tal abstração é a Essência do seu Valor das mercadorias, i.e. do fator em comum que permite que elas sejam comparáveis e, logo, trocáveis entre si.
Esta característica do trabalho é própria do Modo de Produção Capitalista, em que a Forma-Mercadoria generaliza-se. A abstração do trabalho é uma abstração real, no sentido em que é o próprio processo de trocas que “engendra” esta abstração, ao efetivar a comparação entre diversos produtos de trabalho humano.
“Os homens não relacionam entre si seus produtos do trabalho como valores por considerarem essas coisas meros invólucros materiais de trabalho humano de mesmo tipo.
Ao contrário. Porque equiparam entre si seus produtos de diferentes tipos na troca (como valores), eles equiparam entre si seus diferentes trabalhos como trabalho humano [abstrato].
Eles não sabem disso, mas o fazem.” (MARX, p. 149)
Referências
- MARX, Karl. O Capital. Livro 1: O processo de produção do capital. Boitempo Editorial, 2013.