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“Como em toda moral, a moral do capital envolve um conjunto de deveres ser. Como sempre, o dever ser correspondente depende da condição particular em que se encontram os indivíduos concretamente existentes. No caso da sociedade capitalista, a condição de classe, por ser determinante direto da condição econômica particular dos indivíduos, torna-se o elemento fundamental na determinação do dever ser correspondente à realização do Valor [trabalho abstrato]. Para a classe trabalhadora, a realização do Valor exige o comportamento adequado ao aproveitamento pelo capital (ou seja, o enfrentamento da concorrência entre os trabalhadores no mercado de trabalho). Para a classe capitalista, exige-se o comportamento adequado para a reprodução ampliada (concorrência entre capitais).” (Medeiros; Sá Barreto, 2013, p. 30)

O modo de produção capitalista pressupõe a divisão de classes: A contínua reprodução das condições do modo de produção capitalista pressupõem não só a propriedade privada dos meios de produção e o trabalho assalariado, como produzem-os também.

O capital, dessa forma, põe seus próprios pressupostos. Naturalmente isso influencia a subjetividade dos indivíduos, não de maneira “idealista”, mas de maneira objetiva: viver sob o capitalismo pressupõe que é justamente o valor (Trabalho Abstrato) aquilo que medeia as relações humanas.

“É crucial salientar, finalmente, que, se o próprio trabalho, ao figurar como propriedade (valor) das mercadorias, medeia a articulação entre os sujeitos no mercado, então, pode-se afirmar que ele passa a funcionar como uma finalidade das práticas humanas: ter mais valor, ter mais trabalho (ou seus representantes, como o dinheiro ou títulos) em posse significa ter capacidade de absorver uma parcela maior da riqueza social – significa estar mais rico.” (Medeiros; Sá Barreto, 2013, p. 328)

É pelo fato de o valor ser aquilo que media as relações sociais — das quais o ser humano depende para sua sobrevivência, nesta forma social, posto que não produz para si próprio — que ele (o valor) torna-se finalidade das práticas humanas. É justamente porque ele é “poder social”, capacidade de satisfação de necessidades internas através do intercâmbio efetivo com produtos externos, que ele é visado, porquanto não se vive, no modo de produção capitalista, sozinho, autossuficiente.


Referências

MEDEIROS, João Leonardo; SÁ BARRETO, Eduardo. Lukács e Marx contra o “ecologismo acrítico”: por uma ética ambiental materialista. Economia e Sociedade, v. 22, p. 317–333, 2013.