up:: 011a MOC Capital I

“Essas coisas representam apenas o fato de que em sua produção foi despendida força de trabalho humana, foi acumulado trabalho humano. Como cristais dessa substância social que lhes é comum, elas são valores – valores de mercadorias. (…)
Assim, um valor de uso ou um bem só possui valor porque nele está objetivado ou materializado trabalho humano abstrato.” (MARX, p. 116)

“Conhecemos, agora, a substância do valor: ela é o trabalho.
Conhecemos sua medida de grandeza: ela é o tempo de trabalho.
Resta analisar sua forma, que fixa o valor precisamente como valor de troca.” (nota de rodapé em MARX, p. 118; grifo meu)

O que caracteriza toda Mercadoria no Modo de Produção Capitalista é que ela, além de ser Valor de Uso, necessariamente é intercambiada com outras. Ou seja, toda mercadoria possui Valor de Troca — porém, esta característica não lhe é imanente, e sim contingente, dependente, exteriormente, das demais mercadorias.

Essência do valor: Trabalho abstrato

O fato de que toda mercadoria — no modo de produção capitalista — é intercambiável com todas as demais requer que elas possuam algum fator em comum, que permita que sejam comparáveis. Este fator comum — a Essência do valor — é o Trabalho nelas despendido; mais especificamente, é o Trabalho Abstrato (i.e. uma medida de puro dispêndio de cérebro, músculo, nervos etc) que é o fator em comum que permite que as torna comparáveis.

Grandeza do valor: TTSN

A grandeza do valor, que é a quantidade que dá as proporções a partir das quais uma mercadoria é intercambiável com tantas outras das demais, é o Tempo de Trabalho Socialmente Necessário para sua produção.

Aparência do valor: Valor de troca

A forma/Aparência que os valores assumem aos indivíduos é justamente seu valor de troca; note-se que sua aparência é justamente uma característica relacional, pois um objeto somente age como mercadoria porquanto possui “comparabilidade de intercâmbio” com demais objetos; quando não é passível de tal comparabilidade, não é mercadoria per se (mesmo que ainda seja valor de uso).1

Por esse motivo, pode-se concluir que O valor de uma mercadoria é um fenômeno emergente, pois é algo que varia ao sabor de vários fatores externos, como evolução das Forças Produtivas envolvidas em sua produção, conformações sociais locais, valores de matérias-primas, etc.

Valor Valor de Uso

Destaque-se também que Todo valor é um valor de uso, mas nem todo valor de uso é um valor: toda mercadoria precisa ser útil, senão não pode ser mercadoria – ninguém a compraria!


References

  • MARX, Karl. O Capital. Livro 1: O processo de produção do capital. Boitempo Editorial, 2013.

Footnotes

  1. Toda mercadoria é uma unidade dialética valor-valor de uso.