up:: Mais-Valor

“…retornemos à fórmula , que vimos se transformar em , de modo que se transformou em . Sabe-se que o valor do capital constante apenas reaparece no produto. O produto de valor [Wertprodukt] efetivamente criado no processo é, portanto, diferente do valor do produto [Produktenwert] que resulta do processo; ele [o produto do valor] não é, como parece à primeira vista, […], mas […]. Se , o capital constante, fosse , […] não haveria nenhuma parte do valor constante a ser transferida ao produto [em cujo caso o produto de valor seria igual ao valor do produto]. […]

Já sabemos que o mais-valor é mera consequência de uma mudança de valor de , a parte do capital transformada em força de trabalho, e que, portanto, ( mais um incremento de ). Mas a verdadeira mudança de valor, bem como as condições dessa mudança, é obscurecida pelo fato de que, em consequência do crescimento de seu componente variável [ou seja, a essência desta valorização], tem-se também um crescimento do capital total adiantado [ou seja, a aparência desta valorização]. […] A análise pura do processo exige, portanto, que se faça total abstração da parte do valor do produto em que apenas reaparece o valor do capital constante […].” (Marx, 2017, p. 290, grifo meu)

Como somente o Capital Variável — i.e. a Força de Trabalho — cria valor, temos que, dentro de uma Jornada de Trabalho, ele produz

  1. o equivalente ao Valor da Força de Trabalho , num período de tempo que Marx chama de Tempo Necessário de Trabalho
  2. um valor excedente (Mais-Valor), num período de tempo que Marx chama de Tempo Excedente de Trabalho

Ou seja, em uma jornada de trabalho, produz , sendo que o capitalista despendeu somente neste componente produtor de valor. Portanto, o tanto que seu valor valorizou-se — ou melhor, o tanto que o valor que produziu além do capital originalmente despendido — foi

Ou seja

Este é o que Marx chama de taxa de mais-valor.

Em nível mais concreto: taxas de lucro

Num nível mais alto de abstração, a taxa de mais-valor não trata-se de

pois o Capital Constante não produz valor, somente transferindo (parte de) seu valor ao produto final. Num nível mais concreto — i.e. menos abstrato —, porém, o capitalista apreende todo seu capital como igualmente produtor de valor, portanto sendo-lhe aparente1 que sua taxa de apreciação de seu valor seja, de fato

Ou seja, em um nível mais concreto, a valorização que um capital consegue não lhe aparece como , e sim como , como Taxa de Lucro.

Em verdade2, aparece-lhe concretamente como

em que é o Preço de Mercado com que a Mercadoria é vendida, e é seu Preço de Custo.

Caso seja

em que é seu Preço de Produção, então tal quantidade é sua Taxa Esperada de Lucro (ou taxa média de lucro).

Footnotes

  1. E, portanto, real, porquanto A aparência dos fenômenos também compõem sua existência.

  2. Ou seja: em um nível mais aparente.

MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política - Livro I: o processo de produção do capital. 2. ed. São Paulo: Boitempo, 2017.