up:: 011b MOC Capital II
“Mas em todo processo de trabalho em que eles entram[,] eles [mercadorias que são capital circulante] são inteiramente consumidos e têm, portanto, de ser substituídos, para cada novo processo de trabalho, por novos exemplares do mesmo tipo.” (Marx, 2014, p. 241)
“Os elementos restantes do capital produtivo [i.e. além do capital fixo] consistem, em parte, em elementos existentes nos materiais auxiliares e nas matérias-primas do capital constante, e, em parte, em capital variável, investido em força de trabalho.” (Marx, 2014, p. 246)
A parte do Capital Industrial — em particular, da forma Capital Produtivo — que não é Capital Fixo é dita ser capital circulante. Ela inclui Matérias-Primas e materiais auxiliares — i.e. parte de seu Capital Constante — e o Capital Variável.
“Quando os materiais auxiliares e as matérias-primas são totalmente consumidos na criação de seu produto, eles transferem a ele seu valor inteiro. Este circula, portanto, integralmente por intermédio do produto, converte-se em dinheiro e, a partir deste, reconverte-se nos elementos de produção da mercadoria. Sua rotação não é interrompida, como a do capital fixo, mas percorre continuamente o ciclo inteiro de suas formas, de modo que esses elementos do capital produtivo [i.e. capital circulante] não cessam de ser renovados in natura.” (Marx, 2014, p. 246)
“Quanto à parte variável do capital produtivo, investida em força de trabalho, cabe observar que a força de trabalho é comprada por um tempo determinado. Assim que o capitalista a comprou e a incorporou no processo de produção, ela passa a constituir uma parte integrante de seu capital e, mais precisamente, de sua parte variável. Ela funciona diariamente durante certo tempo, quando adiciona ao produto não apenas todo seu valor diário, mas também um mais-valor adicional, do qual, por ora, abstraímos aqui. Depois de a força de trabalho ser comprada e ter atuado por, digamos, uma semana, a compra tem de ser constantemente renovada nos prazos habituais. O equivalente de seu valor, que a força de trabalho adiciona ao produto durante seu funcionamento e que é convertido em dinheiro para a circulação do produto, deve ser constantemente reconvertido de dinheiro em força de trabalho [de novo], ou percorrer, isto é, efetuar constantemente a rotação do ciclo completo de suas formas, a fim de que o ciclo da produção contínua não seja interrompido.” (Marx, 2014, pp. 246–7, grifo meu)
O que caracteriza o capital circulante é seu consumo completo dentro de uma rotação do capital, requerendo reposição a cada novo ciclo.
“A força de trabalho e os meios de produção, nos quais existe a parte líquida [i.e. circulante] do capital, são subtraídos da circulação na medida necessária para a confecção e a venda do produto pronto, mas têm de ser constantemente repostos e renovados por meio da recompra, da reconversão da forma-dinheiro em elementos de produção. Eles são retirados do mercado em quantidades menores que os elementos do capital fixo [sic], porém devem ser dele retirados com maior frequência, e o desembolso do capital neles investido se renova em períodos mais curtos. Essa renovação constante é mediada pela movimentação constante do produto, que faz circular seu valor [do capital circulante] inteiro. Por fim, eles percorrem constantemente o ciclo inteiro das metamorfoses, não só de acordo com seu valor, como também em sua forma material; são constantemente reconvertidos da mercadoria em elementos de produção da mesma mercadoria.” (Marx, 2014, p. 248, grifo meu)
Referências
MARX, Karl. O Capital: Crítica da economia política. Livro 2: O processo de circulação do capital. Boitempo Editorial, 2014.