up:: 0x51 MOC Dissertação Mestrado
Mercadoria-energia
Com a “reificação” da energia, o transporte/circulação de mercadorias, condição intransponível da efetivação do capital, tornou-se controlável e menos contingente de fatores “exógenos”: não só tornou-se mais previsível, como permitia sua aceleração através da mecanização do transporte, tecnologias de comunicação e logística (já escrevi isso acima provavelmente).1
Através da combustão do carvão, mais energia do que os braços humanos e força-motriz animal era possível de ser aproveitada para atividades industriais. Tal usufruto, porém, requer tecnologia minimamente adequada para o não-desperdício de energia2, o que abrange desde o material dos recipientes dos materiais em combustão (metais com altos pontos de fusão), até os mecanismos de transmissão desta energia para as máquinas-ferramentas dos processos de produção, os quais tinham tanto de transmitir o máximo de força possível quanto de manter a temperatura o mais uniforme e previsível quanto possível.3.
Tal energia era melhor aproveitada justamente através de mecanismos de movimento periódico, como o movimento mecânico de rodas e polias, desencadeado por expansões e contrações de pistões com vapor produzido pela combustão do carvão.4 Com o tempo, a produção de energia elétrica através do movimento periódico de bobinas em campos magnéticos tornou-se o padrão esperado de geração de energia5, abrangendo desde a queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás natural) até energias ditas “renováveis”, como usinas hidroelétricas, eólicas e nucleares.6.
Papel sobre produção
O aumento da Produtividade do Trabalho permite com que o dispêndio de Força de Trabalho para a produção de uma Mercadoria seja reduzido. Isso é potencializado com a proliferação da Maquinaria.
Tenhamos por exemplo que a produção de
Para que compense para este capital produzir a este nível maior de produtividade, é necessário que seu “custo” (valor “individual”) seja menor (ou igual) que o valor social:
Ou seja: o “custo extra” (
Note to self: o valor social também possui
Suponhamos a produção de
O Mais-Valor Extra que este capital mais produtivo afere tem magnitude de tempo
Mercadoria-energia como capital circulante
Papel sobre a rotação do capital
O Tempo de Circulação do Capital Industrial se separa da forma
i.e. no tempo da produção de mercadorias e no tempo de sua circulação e efetivação.
O tempo de produção
O tempo de circulação de mercadorias
Visto em um nível mais concreto, o Tempo de Rotação do Capital é o tempo em que um capital adiantado repõe-se totalmente, i.e. re-produz este valor adiantado. O tempo de rotação total de um capital é uma média harmônica dos tempos de rotação de cada material de sua composição de valor, ponderados por sua proporção na composição total deste capital. Sua forma geral é
em que
Com a mecanização dos processos de produção, há um aumento de sua Composição Orgânica do Capital,
Tal possibilidade de prescindir de força humana ou animal (e de intempéries, ao menos imediatamente) foi o que permitiu a aceleração da produção de capital, ou, melhor dito, a superação das barreiras naturais, que afiguravam-se nas forças-motrizes orgânicas, através da dureza e resistência do metal e do submisso movimento do vapor.
Num nível mais concreto, o usufruto da mercadoria-energia entra como capital circulante, e, portanto, desempenha um papel em diminuir o tempo de rotação total do capital que o emprega (abstraindo do capital fixo a se mobilizar para aproveitá-lo, diminuição de
Além disso, engendra um aumento da composição orgânica
Footnotes
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Não à toa formou-se a bolha ferroviária em meio à “Segunda” Revolução Industrial, chamada de “railway mania”: tratava-se de infraestrutura crucial para a indústria britânica — leia-se: principalmente a indústria têxtil —, sendo uma clara opção de investimento para quem tivesse “capital” (Capital-Dinheiro) disponível. ↩
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Dentro dos limites termodinâmicos, evidentemente. ↩
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Requeria-se manter a temperatura
o mais alta possível, ou, mais precisamente, manter o gradiente de temperatura com relação à temperatura ambiente o mais alto possível, a fim de maximizar a eficiência térmica do motor a vapor. ( diz respeito à temperatura do motor, “hot”, e diz respeito à temperatura ambiente, “cold”.) ↩ -
Dentre os vários ciclos termodinâmicos que buscavam descrever distintos processos desse tipo, destaca-se o ciclo de Carnot, em que processos de expansão (isotérmica,
) e expansão (adiabática, ) de vapor d’água são seguidos por processos de compressão (isotérmica, ) e resfriamento (adiabático, ), seguidos novamente por expansão e aquecimento etc. ↩ -
A lei de Lenz, do Eletromagnetismo, descreve a geração de tensão elétrica através da variação de fluxo magnético que passa por um circuito fechado “imerso” neste campo magnético. O exemplo mais simples é de manter algum campo magnético constante, e ter alguma espira girando “dentro” deste campo magnético, gerando, portanto, uma tensão elétrica alternada. ↩
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A energia solar tem como seu princípio o efeito fotovoltaico — não exatamente o efeito fotoelétrico, pois trata-se da formação de pares electron-hole, semi-condutores etc. Não é meramente a ejeção de elétrons, como no efeito fotoelétrico. ↩
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Assumindo que nosso período de referência seja denominado em “anos”. Se fosse, p. ex., em meses,
. ↩