up:: 011a MOC Capital I

Fatores que alteram relação Valor-Mais-Valor

“Quanto mais cresce a força produtiva do trabalho [produtividade dos meios de produção], tanto mais se pode reduzir a jornada de trabalho, e, quanto mais se reduz a jornada de trabalho, tanto mais pode crescer a intensidade do trabalho. Considerada socialmente, a produtividade do trabalho cresce também com sua economia. Esta implica não apenas que se economizem os meios de produção, mas também que se evite todo trabalho inútil. Ao mesmo tempo que o modo de produção capitalista impõe a economia em cada empresa individual, seu sistema anárquico de concorrência gera o desperdício mais desenfreado dos meios de produção e das forças de trabalho sociais, além de inúmeras funções atualmente indispensáveis, mas em si mesmas supérfluas.

Dadas a intensidade e a força produtiva do trabalho, a parte da jornada social de trabalho necessária para a produção material será tanto mais curta e, portanto, tanto mais longa a parcela de tempo disponível para a livre atividade intelectual e social dos indivíduos[,] quanto mais equitativamente o trabalho for distribuído entre todos os membros capazes da sociedade e quanto menos uma camada social puder esquivar-se da necessidade natural do trabalho, lançando-a sobre os ombros de outra camada. O limite absoluto para a redução da jornada de trabalho é, nesse sentido, a generalização do trabalho. Na sociedade capitalista, produz-se tempo livre para uma classe transformando todo o tempo de vida das massas em tempo de trabalho.” (Marx, 2017, p. 597)

I) VFT variável, ceteris paribus

Suponha-se que o valor dos meios de subsistência da Força de Trabalho varia. Junto dessa variação, muda também o valor da própria força de trabalho e, por consequência, dos produtos produzidos por ela. Gera-se, portanto, Mais-Valor Relativo.

Ou seja, há uma mudança relativa do Tempo de Trabalho Socialmente Necessário na produção de uma Mercadoria qualquer frente a seu Tempo Excedente de Trabalho, numa Jornada de Trabalho fixa & intensidade do trabalho fixa também.

Contudo, o valor produzido nesta jornada de trabalho ainda é o mesmo! O que muda é a quantidade de trabalho não-pago!

II) Intensidade do trabalho variável, ceteris paribus

“Já no ganho de intensidade, o trabalho em excesso comprimido na jornada equivale ao trabalho normal realizado em uma jornada mais longa. Por isso, ele cria valor como se a jornada tivesse sido, de fato, prolongada. Nesse caso, ao contrário do que vimos para o ganho de produtividade, o tempo de trabalho excedente pode aumentar mesmo sem que haja reduções no tempo de trabalho necessário. O valor novo criado e o mais-valor crescem porque a quantidade de trabalho excedente cresceu.” (Sá Barreto, 2022, p. 62)

A mudança da intensidade do trabalho faz com que, numa dada JT, produza-se uma quantidade maior de produtos mediante maior condensação do trabalho — e, por consequência, um consumo maior de meios de produção. Ou seja, uma jornada de trabalho de algum capital particular vai equivaler mais de uma jornada de trabalho normal.

“Se o número de horas se mantém constante, a jornada de trabalho mais intensiva se incorpora num produto de valor mais alto; se o valor do dinheiro se mantém constante, ela [a jornada de trabalho] se incorpora em mais dinheiro. Seu produto de valor varia com os desvios que sua intensidade apresenta em relação ao grau socialmente normal. A mesma jornada de trabalho não se representa, portanto, num produto de valor constante, como antes [caso prévio acima], mas num produto de valor variável […]” (Marx, 2017, p. 592)

Dessa forma, O aumento da intensidade do trabalho (ceteris paribus) condensa mais trabalho numa mesma jornada de trabalho, gerando (como se fosse) Mais-Valor Absoluto.

III) Produtividade variável, ceteris paribus

“Com o ganho de produtividade, aumenta a quantidade de unidades produzidas, mas a magnitude do valor produzido em um período dado permanece constante. Cai o valor da força de trabalho, o que eleva o mais-valor. Ou seja, muda a distribuição do valor novo criado pelo trabalho. Um parcela menor é agora suficiente para remunerar o trabalhador, o que implica que a parcela que sobra como excedente é agora maior. Cai uma parcela do valor novo para que a outra possa aumentar.” (Sá Barreto, 2022, p. 62)


Referências

  • MARX, Karl. O Capital. Livro 1: O processo de produção do capital. Boitempo Editorial, 2013.
  • SÁ BARRETO, Eduardo. Ecologia Marxista para pessoas sem tempo. São Paulo, SP: Usina Editorial, 2022.