up:: 099 MOC Anotações
Supomos sempre que as condições médias de mercado (deste setor específico de produção) são:
- Jornada de trabalho
- Capital adiantado:
Composição orgânica do capital:- Taxa de mais-valor:
- Quantidade de mercadorias produzidas neste tempo:
Aumento da eficiência, ceteris paribus
Um capital que possua maior eficiência em seu processo de produção consegue despender menos meios de produção para um mesmo nível de produto. Portanto, comparado com as condições médias, ele consegue adiantar
onde
Tanto este capital quanto o capital médio produzem
Porém, este capital produziu somente
Aumento de produtividade do trabalho, ceteris paribus
“Produtividade sempre diz respeito ao trabalho. O nível de produtividade nos informa uma determinada relação entre o trabalho vivo executado e o produto. (…)
O ganho de produtividade refere-se à diminuição do trabalho vivo exigido para produzir-se uma mercadoria (ou qualquer quantidade determinada de mercadorias). Como estão abstraídas [a princípio] variações de eficiência, o conjunto de matérias-primas e matérias auxiliares consumidos continua sendo o mesmo para qualquer nível dado de produção.” (Sá Barreto, 2021, p. 233)
O aumento da produtividade do trabalho — chamado por Marx de “forças produtivas”1 — permite com que o dispêndio de força de trabalho para a produção de uma mercadoria seja reduzido. Isso é potencializado com a proliferação da maquinaria.
Como um exemplo mais geral, tenhamos agora que a produção de
- a produção de
mercadorias requer, como na média, o mesmo adiantamento de capital , porém é produzida em ; - a produção de
mercadorias, no período , requer um adiantamento a mais de Capital Constante, porém emprega o mesmo capital variável adiantado , pois ele foi contratado pelo período de tempo inteiro, não somente . - Portanto, no período de tempo
inteiro, o capital adiantado para este capital mais produtivo será , produzindo mercadorias, e valor (individual) total .
Para que compense para este capital produzir a este nível maior de produtividade, é necessário que seu “custo” (valor “individual”) seja menor (ou, no máximo, igual) que o valor social:
Dito em termos “vulgares”: o “custo extra” (
Aumento da intensidade do trabalho, ceteris paribus
“No caso de aumento da intensidade, as novas tecnologias contribuem no sentido de concentrar uma quantidade maior de trabalho em um dado período de tempo. Lembrando que abstraímos de outros efeitos, trata-se da elevação do ritmo da produção sem que se alterem as razões entre o trabalho e produto (a produtividade) e entre matérias-primas [meios de produção] e produto (a eficiência). A maior intensidade atua, portanto, no sentido de comprimir uma jornada de trabalho mais extensa em uma jornada menor.” (Sá Barreto, 2021, p. 234)
“Ao lado da medida do tempo de trabalho como ‘grandeza extensiva’[,] apresenta-se agora a medida de seu grau de condensação. A hora mais intensa da jornada de trabalho de 10 horas encerra tanto ou mais trabalho, isto é, força de trabalho despendida, que a hora mais porosa da jornada de trabalho de 12 horas. Seu produto [da ‘hora mais intensa’] tem, por isso, tanto ou mais valor que o produto da
[ ] hora mais porosa.” (Marx, 2017, pp. 482–3)
Um aumento puro de intensidade do trabalho ocorre quando há uma “condensação” do trabalho despendido. Isto se dá principalmente quando são estabelecidas leis trabalhistas que restringem jornadas de trabalho, em cujo caso o capital busca fazer com que seu capital adiantado renda-lhe o mesmo que rendia antes, nem que faça-o em menos tempo.
Tenhamos que a jornada de trabalho mais longa — “mais porosa” — seja denotada por
“Desconsiderando a elevação do mais-valor relativo pela força produtiva aumentada do trabalho [i.e. abstraindo da produtividade do trabalho], podemos dizer, por exemplo, que
horas de mais -trabalho [i.e. ] sobre horas de trabalho necessário [i.e. ] fornecem agora ao capitalista a mesma massa de valor que antes lhe era fornecida por horas de mais-trabalho sobre horas de trabalho necessário.” (Marx, 2017, p. 483)
O produto de valor de uma jornada mais intensa é o mesmo que da jornada menos intensa (a qual dá a régua do grau de intensidade). Para ver isso, enunciemos o problema claramente: supomos que não haja variações de produtividade do trabalho e de eficiência dos meios de produção, e tendo dados a taxa de mais-valor
e produzirá
ou seja,
Dessa forma, podemos escrever
Ademais, note-se que este capital produz nas condições médias; o que o distingue do capital médio é que, num período de tempo
Isolando os termos que restam, temos
Como Marx o coloca, “O número de produtos aumenta, aqui, sem que caia seu preço [no caso, seu valor]” e “a mesma soma de valor se representa numa massa aumentada de produtos” (Marx, 2017, p. 591).
Por fim, notemos que, enquanto
Podemos concluir, portanto, que
pois a proporção que relaciona
Da mesma forma, o tempo excedente também aumenta pelo fator
Contudo, sua taxa de mais-valor pode aparecer diferentemente para o capital médio. Caso um dado capital empregue mais força de trabalho que a média, ele certamente pode tornar sua jornada de trabalho mais intensa que a média, simplesmente por despender mais trabalho num período de tempo do que o resto do mercado; isso, porém, mais parece com um “dispêndio a mais” do capitalista do que uma exploração maior de sua força de trabalho.
Porém, algo diferente aparece quando ele não emprega mais força de trabalho, e sim faz com que aquela que já contratou trabalhe mais, p. ex. acelerando o ritmo do processo de produção através de maquinaria etc. Supondo que, por exemplo, um capital médio empregue
Isso se torna mais manifesto no caso em que este capital ganhe maiores parcelas de mercado, em cujo caso os capitais que desejem competir com ele deverão aumentar suas intensidades de trabalho, fazendo-as tender a
À primeira vista, analisar um aumento puro de intensidade do trabalho parece estranho, pois sempre é descrito na literatura marxista como um aumento quase imaginário, sempre “como se fosse” um aumento da jornada de trabalho. Aqui fica um pouco mais claro esta asserção: o capitalista, de fato, “paga a mais” por seu capital variável empregado em
Footnotes
-
Em alemão, Produktivkraft; no plural, Produktivkräfte. ↩
-
Emprego aqui os subscritos
e como indicadores da jornada mais longa e da menos longa, respectivamente. Certo cuidado deve ser tomado na leitura destas variáveis, pois a jornada mais (menos) longa é a jornada menos (mais) intensa. ↩ -
Afinal, “[e]le comprou a força de trabalho por um período determinado, e insiste em obter o que é seu. Não quer ser furtado.” (Marx, 2017, p. 272). ↩
-
Aliás, aqui já se pode antecipar a discussão sobre salários-eficiência, ou melhor, verificar como a forma-salário mistifica a relação de valor do trabalho assalariado. Quando há um aumento de intensidade do trabalho (ceteris paribus), não é o aumento do salário que induz o aumento do nível da produção (em um dado período de tempo), mas justamente o contrário: é o nível aumentado de trabalho demandado que induz com que haja um aumento do salário. ↩