up:: 071a MOC Realismo Crítico

“Experiences are a part, and when set in the context of the social activity of science an epistemically critical part, of the world. But just because they are a part of the world they cannot be used to define it. An experience to be significant in science must normally be the result of a social process of production; in this sense it is the end, not the beginning of a journey. […] Empirical realism depends upon a reduction of the real to the actual and of the actual to the empirical. It thus presupposes the spontaneity of conjunctions and of facts. And in doing so presupposes a closed world and a completed science.” (Bhaskar, 1978)

““Na ontologia do realismo empírico, […] o mundo (natural e social) é descrito a partir da categoria da experiência. Isso significa que a realidade em si mesma seria composta exclusivamente de eventos atomísticos percebidos pelos seres humanos e das conjunções constantes entre esses eventos, também conhecidas por leis de Hume. As conjunções constantes, cuja descoberta constitui, para essa perspectiva, o papel da ciência, seriam regularidades entre eventos do seguinte tipo: sempre que um evento A ocorrer, segue-se um evento B.” (Medeiros, 2013)

O realismo empírico, como Bhaskar o define Bhaskar, (1978), trata-se de uma interpretação realista do mundo em que somente os fenômenos empíricos são tratados como “reais”, e todos os demais fenômenos existentes têm de remeter ao empírico.

Como fenômenos empíricos dependem de seres aos quais eles sejam empíricos — ou seja, seres vivos que os presenciem —, o realismo empírico traz à baila a falácia epistêmica, pois esta ontologia de mundo pressupõe, implicitamente, que o mundo somente existe porquanto haja alguém que o apreenda.1

Um corolário do realismo empírico no mundo social é o atomismo social: trata-se da

“teoria ou crença de que um grupo deve ser explicado ou compreendido em função de seus membros ou unidades singulares e não como um todo coletivo; negação de que a sociedade ou qualquer grupo tenha uma existência ou significação distinta da de seus membros individuais” (Fairchild apud Medeiros, (2013), p. 56).


References

BHASKAR, Roy. A Realist Theory of Science. 2. ed. Nova Jersey: Humanities Press, 1978.

MEDEIROS, João Leonardo. A economia diante do horror econômico: uma crítica ontológica dos surtos de altruísmo da ciência econômica. Niterói: Editora da UFF, 2013.

Footnotes

  1. “Como esses objetos são os únicos admitidos pelo realismo empírico, segue-se que o mundo passa a ser dependente da existência dos sujeitos sencientes, o que constitui em si a falácia epistêmica. Em outros termos, a concepção de um mundo composto exclusivamente de eventos empíricos e conjunções constantes entre eventos pressupõe aquilo que Bhaskar denominou “antropocentrismo filosófico”: a negação da existência de um mundo não-humano, ou pré-humano (de um mundo anterior, ou independente do conhecimento).” (Medeiros, 2013)

BHASKAR, Roy. A Realist Theory of Science. 2. ed. Nova Jersey: Humanities Press, 1978.
MEDEIROS, João Leonardo. A Economia Diante Do Horror Econômico: Uma Crítica Ontológica Dos Surtos de Altruísmo Da Ciência Econômica. Niterói: Editora da UFF, 2013.