up:: 010 MOC Marxism
related:: 20251115 Anotações Cadernos — Sobre ESG, ciência e ontologia
Introdução // O que é ESG?
A crise climática que aflige o mundo no século XXI naturalmente traz o desejo de, ou o desespero por, formas mais sustentáveis de convívio do homem com a natureza, dentre as quais o combate ao desmatamento, mitigação de emissões de gases de efeito estufa, a busca por uma economia net-zero de carbono, etc.
Mas, ao mesmo tempo, a sociedade capitalista pressupõe, sub-repticiamente, uma ontologia conservadora sobre a conformação do mundo em que habita, qual seja, de que o mundo nada mais é do que aquilo que pode ser observado — e tudo aquilo que não pode ser observado, simplesmente não pode ser —, o que Bhaskar chama de “realismo empírico”.1 Ou seja, ignora tanto fenômenos efetivos mas não-observáveis quanto os mecanismos geradores dos fenômenos efetivos, escanteando-os como “metafísicos”, “ideais”.
As consequências lógicas de uma ontologia empirista decorrem de seu enclausuramento em um mundo não mais que empírico — portanto, de um mundo fechado — são que a ciência torna-se algo meramente instrumental, e que os fenômenos sociais não têm como ser algo a mais do que as ações individuais.
É neste contexto todo que elucida-se melhor onde o ESG insere-se juntamente às contradições do mundo capitalista, e como seus anseios (porventura genuínos) de mudança sustentável são afogados por sua alma indelevelmente capitalista.
A apologética capitalista e sua ontologia implícita
Cf. (MEDEIROS, 2013a)…
- Realismo empírico
- Ciência instrumental
- Imutabilidade e naturalidade do status quo
- Atomismo social
Ciência instrumental
Geração de targets sem nenhum télos. Metas como 1.5ºC, alcançar net-zero até o ano 20XY, são metas tão esdrúxulas e irreais, que nenhum shareholder acharia admissível que os superiores dos targets de seus investimentos estabelecesse-os como KPIs. Porém, como no meio corporativo, não há espaço para questionamentos — ou melhor, não há tempo para questionamentos —, e, assim como toda meta estúpida que é dada aos managers, faz-se o que é possível e joga-se a batata quente para o próximo desafortunado abaixo na hierarquia corporativa.
O trabalhador corporativo — de alto ou baixo escalão — não tem tempo nem energia mental para debater-se com preocupações “filosóficas”/“metafísicas” do que concerne seu trabalho, devido à condensação de sua jornada de trabalho a constante estado de alerta, desgastante ao corpo, mente e alma.2 Ora, e nem precisa ter tal tempo, posto que a experiência atesta-lhe que debater-se com tais questões é um beco sem saída: as vontades do mercado serão priorizadas, e tanto o trabalhador moralmente consciente quanto o contentemente ignorante serão forçados a aderir à vontade do mercado, abdicando (nem que parcialmente) de seus ideais — e, se não o fizerem, o mercado sempre consegue contratar novos subordinados com menos escrúpulos.
O moralismo individualista e sua falsa complacência
“Em vez de agir de maneira coletiva e contestadora, os indivíduos comprometidos com uma transição ecológica justa podem se ‘engajar’ como investidores e direcionar seus recursos para um fundo ESG. Já é a financeirização não apenas da economia, do Estado e da política social, mas também do ativismo.” (TELÉSFORO, 2025, p. 83)
Um suíço ecologicamente consciente em ser net-zero em sua importantíssima vida cotidiana, indo ao trabalho de bicicleta e colhendo os próprios temperos em casa, evidentemente não desfaz os danos de todo o lixo tecnológico despejado em Agbogbloshie, Ghana. A vida minimalista de um austero japonês comprometido em gerar o mínimo de lixo possível não desfaz a gigantesca ilha de lixo de mais de 1.6 milhões de quilômetros quadrados (!) que perambula pelo Oceano Pacífico.
(Por tratar-se de uma Ontologia implícita empirista, o que conta é a ação, não a intenção, dos agentes; é dada, portanto, rédea solta ao greenwashing, já de bate-pronto!)
Inclusive, o próprio greenwashing é uma Estratégia Dominante. Suponha-se que haja alguma estratégia de business que esteja enquadrada como “non-compliant aos princípios ESG”, mas que, infelizmente, seja saudável à saúde do portfólio; então, a empresa que finge que não segue esta estratégia — e, em verdade, a segue — tem mais a ganhar (ou melhor, menos a perder) do que os demais que realmente restringem seus raios de ação e, portanto, têm seus negócios prejudicados.3 Ou seja, no final do dia, embora o homem busque ter sua consciência limpa, o dinheiro em si não tem cheiro nem manchas4.
Mas não existe ESG bom?
Sobre prevalência de ativos armamentícios em fundos ESG: Assim como na guerra e no amor, tudo vale no business.
Como bons capitalistas com espírito empreendedor, “comem seus sapos”5 antes de sentarem-se à mesa para fazer negócios “de verdade”, bem sabendo que seus ativos verdes mais trarão retornos reputacionais do que financeiros. Tiradas do caminho as responsabilidades burocráticas, partem para a alocação ótima de seus portfólios, onde vale tudo, desde tabaco até health care, desde armas até death care.
Não é à toa que fundos verdes são tão recheados de ativos armamentícios colocar citações de Telésforo, ou que mineradoras tão facilmente jactem-se como sustentáveis6.
A (insustentável) adaptabilidade do homem
Já tive o desprazer de ver uma “ilustríssima” palestrante dissertar, em suas palestras semanais sobre ESG, em que ela, mui conhecedora de filosofia da ciência, disse — em meio ao ceticismo que rondava a COP 27 sobre a assertividade da meta de +1.5ºC de temperatura global pós-revolução industrial — que “acreditava que alcançaríamos 1.5ºC”. Não bastasse sua esperança e evidente rechaço da Falácia Epistêmica7, também professou seus conhecimentos geológicos, dizendo que “a Terra já aguentou 5 extinções em massa” e “sempre saiu mais fértil delas”, então, se estamos em uma extinção em massa agora, e a Terra já vai fazer o dela e sair mais fértil disso… então façamos o nosso, oras! Onde há riscos, há oportunidade. A necessidade é a mãe da invenção, e por sorte também é a mãe dos lucros.
A consideração que o capital concede à crise climática (para dizer sobre uma letra do ESG apenas) não tem como ser senão passiva: tudo que lhes foge ao alcance financeiro torna-se mera pré-condição de seus valuations, e tudo que foge do horizonte de maturidade de seus ativos não lhes diz respeito em absoluto — après moi, le déluge! O capital não se importa com estimativas soltas de como o mundo estará em 2100, e sim em como ele estará daqui a alguns poucos anos — e, ironicamente, a janela temporal de sua paciência em reaver seus investimentos tem se estreitado ao longo das décadas justamente devido à crise climática.
E não só quanto à faceta ambiental. A questão social (e/ou socioambiental) também é vista como se estivesse detrás de uma vitrine de loja: distante ao toque, mas não da carteira. É uma pena que o mundo gire em função do trabalho escravo no Sudeste Asiático, mas, já que já estão ali, por que não desfrutarmos? A possibilidade de mudança de condições de opressão que, “pelo bem ou pelo mal”, também são úteis e rentáveis ao resto do mundo é recebida não só com cansaço — “there is no alternative”, “so it goes” etc —, como também, e principalmente, de forma reativa, na defensiva — “então você é contra o progresso/desenvolvimento?”, “então devemos voltar a ser pobres?”, etc8.
Aqui também entra o Racismo Ambiental, até mesmo em causas “nobres” como a erradicação da dengue através do desenvolvimento de mosquitos geneticamente modificados:
“Hence, although it promotes itself as a very innovative strategy, the RIDL [Release of Insects Carrying a Dominant Lethal gene] transgenic insect technique follows a deep-rooted logic that focuses on the mosquito, rather than analyzing and improving social conditions, health care or medical interventions. This is obvious in the Brazilian case. The town of Juazeiro in the Northeast state of Bahia – the chosen location to experiment this cutting edge technology – does not have running water supply.” (REIS-CASTRO, HENDRICKX, 2013 p. 124)
Mosquitos esses que são propriedade… europeia: “All the transgenic insects released in the environment are a product of the British company Oxitec – the Oxford Insect Technologies, a spin-off company from Oxford University. […] Up to now [circa 2013], mosquitoes have been released in the Cayman Islands, in Malaysia, and in Brazil.”, (Ibid., p. 119) — destaque-se que fala-se destes insetos como produtos (como os autores o reafirmam ao longo do texto)! E, no fim das contas, mesmo esses produtos tinham uma vida mais confortável do que seus servos humanos:
“To maintain standardized production[,] the genetically engineered mosquitoes were given the same fish-food that was used in the English laboratory in which they were developed; but in Brazil it was an expensive imported brand. Moreover, the fish-food needed to be ground twice and later sifted to turn it into a very fine powder. These steps ensured that there were no clumps, so it could be precisely measured and more easily dissolved in the water. While they [the workers involved] went through this arduous and messy process, Jonatan remarked, “All this imported food and we need to go through all this effort to feed them.” After a short reflective pause, he said, shaking his head, “These mosquitoes have a better life than I have!”” (REIS-CASTRO, 2021, p. 331).
Dentre os maiores pecados capitais do capitalista está o desperdício de capital, independente de que seu funcionamento cause disrupções socioambientais. Por sua própria definição, capital consiste em meios pelos quais a produção futura de riquezas será maior que sua produção vigente no presente; dessa forma, a destruição de capital não só deixa de efetivar essa produção futura, quanto destrói “riqueza” presente — é, portanto, “um desperdício”! Afinal, para que consertar o que “não está quebrado”, i.e. o que ainda funciona? Não é difícil entender por que os apelos às “iniciativas próprias” que os princípios ESG pedem ao capital foram, no máximo, inócuas: se o pecado original9 já foi cometido, então de que vale comportar-se bem?, de que vale tentar voltar ao Éden? Se já temos tantas plataformas de petróleo montadas, funcionando e trazendo lucros e dividendos e royalties, para que diabos vamos desmontá-las? Os óbvios interesses financeiros podem até mesmo mascarar-se de moralidade: para que vamos diminuir o “bem-estar” do resto do mundo?
Não é à toa, portanto, que o discurso de adaptabilidade — e sinônimos próximos, como robustez, resiliência — tem tanta prevalência no vocabulário capitalista, embora possa apresentar-se de duas formas sutilmente distintas: adaptabilidade do capital já montado para novas funções (ou seja, de um capital ainda em funcionamento), e adaptabilidade do mercado em incorporar novas atividades e possibilidades (logo, instalação de mais capital).
Conclusões
“Mais do que mero instrumento de propaganda empresarial, o discurso e o aparato institucional ESG foram construídos explicitamente como alternativas a iniciativas regulatórias que impõem custos ao capital ou reduzem o seu poder. Enquanto algumas frações do capitalismo global professam o negacionismo climático puro e simples, outras adotam estratégias diferentes: reconhecem o problema retoricamente, mas garantem que seu enfrentamento se restrinja às medidas voluntárias do mercado. O ESG é uma ferramenta de disputa de hegemonia da política climática pelo capital financeiro global, servindo à propagação da racionalidade neoliberal como apta e legítima para dirigir a economia, o Estado e a sociedade.” (TELÉSFORO, 2025, p. 82)
Evidentemente há uma questão de Falácia da Composição aqui: o comprometimento individual não garante que haja um comprometimento coletivo. Assim como dizer que “a humanidade” é a principal causadora da atual crise climática não implica que todos os seres humanos tenham a mesma parcela de culpa, a ação meramente individual não muda o fato de que a crise climática é causada social e sistematicamente — oposto a individual e contingentemente —, não meramente pela sociedade, mas pela sociedade capitalista em particular.
Uma das maiores tragédias do Modo de Produção Capitalista é que a concorrência impele o Capital individual à ação mais conveniente para si e detrimental para os demais, ao mesmo tempo que “socializa as perdas” e as responsabilidades pelas ditas “externalidades”; por mais que a crise climática seja causada pelo capitalismo como totalidade, ela certamente é mais atribuível aos grandes conglomerados financeiros e — como mais recentemente tornou-se a nova auri sacra fames — a sede por água e a fome por eletricidade dos data centers, do que do estadunidense médio (que não é o mais austero consumidor, diga-se de passagem!).
Para o investidor, o mundo não consiste em mais do que dados e dashboards que informam sua alocação de capital; para o capital, são só negócios, alguns mais lucrativos, outros menos, alguns mais voláteis, outros menos. De certa forma, o pensamento liberal está certo quando diz que o livre-mercado trouxe a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Afinal, quantos honrados investidores que famintamente abstêm-se hoje de financiar o genocídio em Gaza não suspirarão de alívio quando seu dinheiro puder, finalmente, içar suas âncoras ante a “valorosíssima” reconstrução que Israel “humildemente” edificará sobre os escombros da Palestina! Afinal de contas, poucas coisas no meio corporativo dão o mesmo gozo do que clamar seu merecido galardão sob o clamor de trombetas… mesmo que uma delas eventualmente abra um abismo sob seus pés.10
Referências
BHASKAR, Roy. A Realist Theory of Science. 2. ed. Nova Jersey: Humanities Press, 1978.
DE OLIVEIRA, Pedro Rocha. O discurso filosófico da acumulação primitiva. Ed. Elefante. São Paulo, 2024.
Melo, Mylena. O ESG pode nos salvar do apetite das grandes empresas?, O Joio e O Trigo, São Paulo, 12 dez. 2022. Disponível em: https://ojoioeotrigo.com.br/2022/12/o-esg-pode-nos-salvar-do-apetite-das-grandes-empresas/. Acesso em: 12 out. 2025.
Peres, João. No Brasil, maior gestora de fundos do planeta tem investimento três vezes mais poluidor que na Europa e nos EUA, O Joio e O Trigo, São Paulo, 18 maio. 2023. Disponível em: https://ojoioeotrigo.com.br/2023/05/no-brasil-maior-gestora-de-fundos-do-planeta-tem-investimento-tres-vezes-mais-poluidor-que-na-europa-e-nos-eua/. Acesso em: 12 out. 2025.
MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política - Livro I: o processo de produção do capital. 2. ed. São Paulo: Boitempo, 2017.
MEDEIROS, João Leonardo. A economia diante do horror econômico: uma crítica ontológica dos surtos de altruísmo da ciência econômica. Niterói: Editora da UFF, 2013a.
MEDEIROS, João Leonardo; BARRETO, Eduardo Sá. Lukács e Marx contra o” ecologismo acrítico”: por uma ética ambiental materialista. Economia e Sociedade, v. 22, p. 317–333, 2013b.
MEDEIROS, João Leonardo. Se Marx tivesse escrito uma ontologia da sociedade, quais seriam seus elementos fundamentais? Revista Outubro, v. 26, p. 169–194, 2016.
REIS-CASTRO, Luisa; HENDRICKX, Kim. Winged promises: exploring the discourse on transgenic mosquitoes in Brazil. Technology in society, v. 35, n. 2, p. 118-128, 2013.
REIS-CASTRO, Luísa. Becoming without: Making transgenic mosquitoes and disease control in Brazil. Environmental Humanities, v. 13, n. 2, p. 323-347, 2021.
SÁ BARRETO, Eduardo. Marx contra a fantasia “coaseana”: uma crítica ontológica ao fundamento teórico dos mercados de carbono. Revista Marx e o Marxismo–Revista do NIEP-Marx, v. 3, n. 5, p. 263–278, 2015.
SÁ BARRETO, Eduardo. Fundamentos para a crítica ecológica do capitalismo no Livro I de O Capital (ou: esse não é mais um texto sobre ruptura metabólica). In: MEDEIROS, João Leonardo; SÁ BARRETO, Eduardo (Orgs.). Para que leiam O capital: interpretações sobre o Livro I. São Paulo: Usina Editorial, 2021.
TELÉSFORO, João. Confissões do capitalismo “verde”: lucrando com a tragédia climática e com placebos ESG. In: LUEDY, Laura (Org.). Tempo fechado: colapso ecológico e capitalismo. São Paulo: Boitempo, 2025.
Footnotes
-
Cf. (BHASKAR, 1978). ↩
-
“Além do esforço dos órgãos que trabalham, a atividade laboral exige a vontade orientada a um fim, que se manifesta como atenção do trabalhador durante a realização de sua tarefa, e isso tanto mais quanto menos esse trabalho, pelo seu próprio conteúdo e pelo modo de sua execução, atrai o trabalhador, portanto, quanto menos este último usufrui dele como jogo de suas próprias forças físicas e mentais.” (MARX, 2017, p. 256) ↩
-
“Seus interesses exclusivamente privados [do indivíduo autointeressado, ‘baconiano’] o colocam frequentemente em oposição aos interesses dos demais indivíduos e da sociedade como um todo: ele precisa explorar o trabalho e competir por fatias de mercado; lhe é interessante evadir impostos quando puder, apropriar-se dos recursos naturais finitos e consumi-los agora, sem pensar no depois; em sua operação econômica usual, contribui para a falência alheia enquanto cuida da sua prosperidade. Ao mesmo tempo, ele depende de uma estrutura institucional estável que preserve e proteja a propriedade privada, garanta a circulação global de mercadorias, prepare a população para o trabalho e mantenha os meios de produção inacessíveis a ela, tornando-a sujeita ao consumo de mercadorias. Ele também depende da atividade econômica de outros sujeitos privados como ele, tanto para satisfazer suas próprias necessidades imediatas quanto para conseguir as matérias-primas e outros recursos fundamentais à sua produção (…) Em resumo: a prática de cada um dos empreendedores privados se dá como se ele tivesse que esperar o comportamento mais equânime de todos os demais, exceto dele mesmo. Se tal comportamento pode ser realmente esperado, o melhor que se pode fazer continua sendo assumir a postura menos equânime possível, em comparação à dos demais.” (DE OLIVEIRA, p. 75; grifo meu) ↩
-
“Como a mercadoria desaparece ao se transformar em dinheiro, neste não se percebe como ele chegou às mãos de seu possuidor ou qual mercadoria foi nele transformada. O dinheiro non olet [não fede], seja qual for sua origem. Se[,] por um lado[,] ele representa mercadoria vendida, por outro representa mercadorias compráveis.” (MARX, 2017, p. 184). Embora, nesta citação, Marx esteja tratando, a rigor, da compra e venda de mercadorias, o mesmo facilmente aplica-se ao mercado financeiro. É o conveniente dando as mãos ao agradável. ↩
-
Expressão famosa nas comunidades de empreendedorismo/self-development: “eat your frogs first”. ↩
-
“O Rio? É doce // A Vale? Amarga. // Ai, antes fosse // mais leve a carga.” (Lira Itabirana, Carlos Drummond de Andrade) ↩
-
“This consists in the view that statements about being can be reduced to or analysed in terms of statements about knowledge; i.e. that ontological questions can always be transposed into epistemological terms. The idea that being can always be analysed in terms of our knowledge of being, that it is sufficient for philosophy to ‘treat only of the network, and not what the network describes’, results in the systematic dissolution of the idea of a world […] independent of[,] but investigated by[,] science.” (BHASKAR, 1978, p. 36-7; grifo meu). Ou, em termos mais claros: “o que pensa que eu sou, se não sou o que pensou?“. ↩
-
Sempre cai como uma luva alguma menção do, entre aspas, “comunismo” como um espantalho de como o mundo “poderia, mas não deveria, ser”: pobre, escasso, estanque, ditatorial, etc. ↩
-
“E o quinto anjo tocou a sua trombeta, e vi uma estrela que do céu caiu na terra; e foi-lhe dada a chave do poço do abismo. E abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço, como a fumaça de uma grande fornalha, e com a fumaça do poço escureceu-se o sol e o ar.” (Apocalipse 9:1-2) ↩