up:: 011c MOC Capital III
Formalização da formação de preços de produção
Tenhamos que a economia é formada pelos capitais
com composições de valor
Temos então que o valor que cada capital produz é
e que o mais-valor produzido por cada um é
O excedente total, produzido por todos os capitais na economia, é dado por
Logo, a taxa de lucro de cada capital será
e a Taxa Média de Lucro será
Dessa forma, cada capital terá preço de produção igual a
onde
Supondo que os capitais vendam seus produtos por seus preços de produção
Ou seja, cada capital
Neste nível de concretude da análise, está escancarado que aquilo que o capital
Multiplicando e dividindo o último termo por
Portanto, o “lucro extraordinário”
“…os lucros extras [Surplusprofit] podem ter lugar quando certas esferas da produção se encontrem em condições de subtrair-se à transformação de seus valores-mercadoria em preços de produção e, assim, à redução de seus lucros ao lucro médio.”
to-be-elaborated Mas então os capitais com taxas de lucro menores (vis-à-vis taxa média) são mais beneficiados!? Cabe entender direito, “sem moralismos”, o que quer dizer “taxa de lucro menor”.
Ganho de produtividade e lucro extraordinário: capital a condições médias
Analisemos o caso de algum capital que comece com condições médias e tenha um ganho de produtividade. Tenhamos um mercado numa economia com capitais
sejam o capital médio, capital constante médio e capital variável médio, respectivamente. Seja a taxa de mais-valor
Tenhamos agora um capital particular que adentre neste mercado, e que porventura tenha as mesmas condições médias deste mercado, em que esta média diz respeito aos
onde denotamos
Ou seja, a “composição média de valor” é a fração do capital constante médio sobre o capital variável médio.2 Note-se que, como ele possui a mesma composição de capital que a média original, a média da qual ele faz parte será igual à média anterior à sua entrada no mercado: seu capital constante é igual à média de capital constante e idem para seu capital variável, mais-valor produzido e taxa de lucro.
Tenhamos agora que este capital tenha um ganho de produtividade
Como calculado previamente adicionar contas feitas no nível de abstração de produção , temos que
A nova taxa de lucro média, com este capital mais produtivo, será
Como sanity check, note-se que, quando temos
A taxa própria de lucro deste capital, após este “choque de produtividade”, devém
Ou seja, este ganho de produtividade aumenta a taxa média de lucro, embora diminua a taxa própria de lucro do capital mais produtivo. Ele, porém, vende ao preço de produção, tendo seu lucro atrelado à taxa média. Embora ele extraia menos trabalho excedente em seu próprio processo de produção, ele compensa-o através da apropriação da produção social — ou seja, da produção de seus demais concorrentes.
Portanto, o lucro extraordinário que este capital mais produtivo consegue extrair da economia será, como analisado anteriormente
Fazendo o denominador de ambos os termos entre parênteses igual a
Com
que é igual ao mais-valor adicional que este capital extrairia ao abstrair de taxas médias de lucro! Ou seja, o exercício feito quando abstraíamos fatores fora da esfera de produção deste capital é recuperado quando este capital está em um mercado “saturado”, i.e. quando ele consegue extrair este excedente “sem afetar as condições médias”. Não é difícil perceber que há um claro análogo com a noção neoclássica de competição perfeita —
i.e. de mercados em que há uma quantidade “infinita” de firmas —, embora estejamos aqui falando de extração de mais-valor e lucros extraordinários, não de “price takers” etc. Porém, note-se que todo o argumento feito até aqui dependeu de que
Capital com ganho de produtividade sobre composição média
O mesmo exercício pode ser feito com condições menos restritivas: em vez de este capital adiantar
Podemos recuperar
Sabemos, portanto, que este capital produzirá mais-valor igual a
A taxa média de lucro, mediante a entrada deste capital mais produtivo, será
(Na antepenúltima linha, somou-se e subtraiu-se
Referências
Footnotes
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A este nível de abstração, claro. Na realidade concreta, há muitos agravantes, tanto de ordem teórica quanto de questões contingentes e dadas pelo acaso, que perturbam este meritocrático “a cada qual segundo sua capacidade” do livre-mercado “em sua pureza”. ↩
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Se ela for pensada como uma “média das composições de valor”
, então ela tem de ser pensada como uma média ponderada pelas proporções que cada capital possui em capital variável vis-à-vis capital variável total. Isso se dá pois , sendo igual à definição dada. ↩ -
Neste nível de abstração. Na realidade concreta, isso não é mais que uma tendência. ↩
-
E que, como temos
, já recuperamos que ↩