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“A necessidade que o consumo sente do objeto é criada pela própria percepção do objeto. […] A produção, por conseguinte, produz não somente um objeto para o sujeito, mas também um sujeito para o objeto.” [@Marx2021, p. 47]
“A produção cria o material para o consumo como objeto externo; o consumo cria a necessidade como objeto interno, como finalidade para a produção.” [@Marx2021, p. 48]
O consumo (não contingente) de objetos pressupõe sua demanda, o que pressupõe que os objetos sejam de conhecimento dos indivíduos que o consumirão. É justamente porque A produção possui prioridade ontológica com relação ao consumo — embora seja verdade que O consumo é um pressuposto ideal da produção — que a pré-existência de certos objetos particulares no mercado1, que satisfazem certas necessidades humanas, é pressuposto de seu consumo, de sua busca para satisfação efetiva de tais necessidades.
Um exemplo claro: há a necessidade humana milenar de conservação de alimentos, muito embora a demanda por geladeiras tenha pouco mais de um século e meio de existência! Essa necessidade acompanha a humanidade desde sempre, embora estes objetos específicos2 cujo consumo a satisfaz têm existência muito mais curta, e, portanto, uma demanda igualmente restrita no tempo.
Porém, não basta que existam produtos que proponham-se a satisfazer necessidades humanas; faz-se necessário que eles sejam comprados, pois É somente no consumo que o produto devém efetivamente produto. Não basta a possibilidade abstrata de satisfação de necessidades mediante seu potencial usufruto, e sim seu usufruto concreto e a satisfação efetiva das necessidades que ele se propõe a satisfazer.
Referências
MARX, Karl. Grundrisse: Manuscritos e econômicos de 1857 - 1858 : Esboços da crítica da economia política. São Paulo: Boitempo, 2021.
Footnotes
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Oposto a, por exemplo, a demanda por sal para conservação de carnes. ↩