up:: 071 MOC Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência
Fonte: The flow diagrams of inductive and deductive reasoning (Bayazit Karaman)
O indutivismo é uma interpretação do método científico, na qual obtêm-se fatos gerais a partir de fatos particulares (i.e. observações), buscando evitar vieses vindos “de fora” desses dados.
Rom Harré elabora que há 3 princípios principais no Indutivismo:
- Princípio da Acumulação: O conhecimento é visto como uma soma de fatos/observações conhecidos
- Princípio da Indução: A partir de fatos acumulados, inferem-se leis gerais que os expliquem1
- Princípio da Confirmação Instancial [Instance Confirmation]: a plausibilidade de uma teoria aumenta conforme mais instâncias que corroborem uma dada lei induzida sejam encontradas
Métodos de Mill [Mill’s Canons]
Dentre os principais métodos de (John Stuart) Mill, estão:
- Método da Concordância (Canon of Agreement): quando todos os experimentos (i.e. instâncias de um mesmo fenômeno) concordam com uma, e somente uma, característica, então conclui-se que esta característica é causa (ou efeito) deste fenômeno. Pensando em instâncias como conjuntos de características, este método se refletiria matematicamente por uma interseção de características de diferentes instâncias de um fenômeno:
- Método da Diferença (Canon of Difference): quando comparam-se uma instância de um fenômeno e uma instância em que este fenômeno não ocorre, em que há uma, e somente uma, característica distinta entre eles, então conclui-se que esta característica é causa (ou efeito) da ocorrência (ou não) do fenômeno. Pensando em instâncias como conjuntos de características, este método se refletiria matematicamente por uma set difference entre ambas estas instâncias:
A crítica (ou apontamento) destes métodos é de que pressupõe-se perfeito conhecimento de todas as possíveis causas do fenômeno, senão não se poderia concluir nada: poderia haver alguma característica desconhecida até então que fosse a verdadeira causa do fenômeno — pressupondo que sua causa possa ser devido a uma causa, não a um complexo de causas. Sabendo-se isso, então estes métodos são válidos.
Objeções ao indutivismo
Começa-se por uma hipótese falsa, pois Nenhum dado é factum brutum: sempre há alguma preconcepção em qualquer ato de experimentação, de obtenção de dados. O próprio ato de discernir o que é relevante de ser medido requer algum pressuposto teórico, alguma linha que separa o que é “irrelevante ao experimento”.
Além disso, a ciência não é uma mera soma de dados: O saber não é acumulativo, e sim excludente; se faz necessário alguma cola que conecte fatos conhecidos entre si de maneira que eles adquiram sentido, ou seja, alguma lei geral que estes fatos sigam, simultaneamente.
Ademais, não há uma lei unívoca que é induzida a partir de dados, mas sim uma infinidade de possíveis leis que os expliquem. Por exemplo, sempre pode-se obter uma curva que passe perfeitamente por todos os pontos (Polinômios de Lagrange), embora não sejam modelos tão adequados cientificamente.
Fonte: Harré, p. 44.
Um princípio auxiliar que costuma-se adicionar é o “Princípio da Simplicidade”, pelo qual priorizam-se as teorias mais simples… o que não ajuda muito, pois o modelo mais simples sempre é uma constante, e isso não é um modelo científico útil2.
Além do mais, teorias científicas começam simples e tendem a tornar-se mais complexas conforme o conhecimento dos fenômenos aprofunda-se: Harré dá o exemplo da lei do gás ideal vs. lei de van der Waals.
Além disso, é falso concluir que uma teoria adquire mais credibilidade somente pela quantidade de instâncias que a comprovam, e.g. cisnes negros e o Peru Indutivista de Russell. Neste sentido, a teoria de Falseabilidade de Popper é uma crítica direta ao indutivismo.
Relação com método científico
Faz sentido ver o indutivismo como manifestando parte do método científico, invés de sua totalidade. A obtenção de dados é necessária ao fazer científico, mas o papel da criação de teorias é algo que extrapola o processo experimental, sendo onde a Dedução e a Abdução (Pierce) aparecem.
References
- HARRÉ, Rom. The philosophies of science. Oxford University Press, 1972.
- Introduction to Philosophy of Science (Paul Hoyningen-Huene) - YouTube