up:: 011a MOC Capital I // Fetichismo

“Vimos como, já na mais simples expressão de valor x mercadoria A = y mercadoria B, a coisa em que se representa a grandeza de valor de outra coisa parece possuir sua forma de equivalente independentemente dessa relação, como uma qualidade social de sua natureza [i.e. de alguma mercadoria equivalente-universal]. Já acompanhamos de perto a consolidação dessa falsa aparência. Ela se consuma no momento em que a forma de equivalente universal se mescla com a forma natural de um tipo particular de mercadoria [i.e. mercadoria-dinheiro] ou se cristaliza na forma-dinheiro. Uma mercadoria não aparenta se tornar dinheiro porque todas as outras mercadorias representam nela seus valores, mas, ao contrário, estas é que aparentam expressar nela seus valores pelo fato de ela ser dinheiro.” (MARX, 2017, p. 167)

O fetichismo do dinheiro consiste na Aparência de que os Valores das Mercadorias advêm do Dinheiro, apresentando justamente o oposto da Essência do fenômeno: de que uma mercadoria torna-se dinheiro justamente porque “todas as outras mercadorias representam nela seus valores”.

“Como todas as mercadorias são apenas equivalentes particulares do dinheiro, que é seu equivalente universal, elas se relacionam com o dinheiro como mercadorias particulares com a mercadoria universal.” (Ibid., p. 164)

Ou seja, há um nível mais abstrato do Fetichismo da Mercadoria:

  • os caracteres “sociais” das mercadorias — seus Valores de Troca umas com as outras — manifestam-se como caráter objetivo da mercadoria-dinheiro (i.e. seus preços), e
  • o caráter objetivo das mercadorias (no que tange à Relação de Troca) — seu Valor — aparece como advindo de sua relação “social” com a mercadoria-dinheiro (i.e. que toda mercadoria tem um preço, denominado na mercadoria-dinheiro)

Referências

  • MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política - Livro I: o processo de produção do capital. 2. ed. São Paulo: Boitempo, 2017.