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“Em caráter mais propriamente político, a sinédoque manifesta-se no campo do agronegócio quando se concebe uma “parte” (conjunto de agentes políticos do agronegócio) como se fosse o “todo” (amplo perímetro de funções contidas na noção de agronegócio).” (Pompeia, 2020, p. 197; grifo meu)

“…para que se confundam totalidades com partes, ou, mais especificamente, para que prevaleça indistinção entre o amplo perímetro de funções agroalimentares abrangidas no conceito de agribusiness e a concertação política do agronegócio, que remete a um conjunto de núcleos que, a despeito de conflitos, atua frequentemente de modo orquestrado. (Pompeia, 2020, p. 218; grifo meu)

A ideia a que Caio Pompeia dá o nome de “sinédoque1 política” descreve o discurso ideológico perpetrado pelo agronegócio a fim de legitimar seus interesses: utilizar a imagem específica do agropecuarista — em particular pequenos produtores —, que é mais “simpática” como imagem pública, como representante do agronegócio como um todo.

Lembrando do esquema de Davis e Goldberg (A concept of agribusiness, 1957) do tripé do agribusiness: o agronegócio é um complexo no qual pertencem não só as funções agropecuárias, mas também as funções a montante — insumos, máquinas, etc. — e funções a jusante — transporte, processamento, indústrias agroalimentares, etc. Propagandas sobre o agronegócio, a imagem que se passa dele, tendem a mostrar somente uma parcela desse todo, em particular mostrando “indivíduos simples”, “gente como a gente”, como forma de criar uma identificação do público com a imagem que se passa (o “agronegócio”), e, por tabela, com o agronegócio per se.


Referências

  • POMPEIA, Caio. “Agro é tudo”: simulações no aparato de legitimação do agronegócio. Horizontes Antropológicos, v. 26, n. 56, p. 195–224, 2020.

Footnotes

  1. Uma espécie de metonímia.