up:: 010 MOC Marxism
“Uma dessas mistificações [ideológicas] é apresentar os problemas e a crise energética [sic] como solucionáveis pela produção de mais energia ou, então, pelas formas renováveis. Mistificações, pois[,] dentro da ordem sistêmica do capital[;] isso é uma doce fantasia, tal como acreditar em crescimento infinito da economia e na ausência de crises. Ou, ainda, acreditar que o sistema do capital sempre superou crises e não será difícil fazê-lo em mais uma.” (Doti, 2016, p. 245)
Doti fala sobre duas finalidades que tais mistificações ideológicas efetivam:
- Postular os problemas (energéticos, no caso) como solucionáveis dentro da ordem vigente, de forma a coibir e apaziguar “manifestações de classe ou formas de organização social contra o capital” (ibid.)
- Deixar a formulação das soluções para este problema — social e planetário, em última instância — apartada do público em geral, delegada para “profissionais da área”, “os tecnocratas, cientistas e os especialistas” (ibid.). A intenção dessas mistificações ideológicas é, portanto, também a de “remover a solução dos problemas e das constantes crises do capital daqueles que são os maiores interessados nessa solução: os trabalhadores, a imensa maioria da sociedade” (ibid.).
Relacionado: O negacionismo científico é consequência da alienação capitalista. Não é difícil que associe-se tal “privatização do conhecimento” como sendo algo intrinsecamente capitalista, invés de uma cooptação capitalista de algo inerentemente comum1.
Referências
DOTI, Marcelo Micke. Crise energética: manifestação da crise do capital. In: MAZIN, Angelo Diogo et al. (Orgs.). Questão agrária, cooperação e agroecologia. 2. ed. São Paulo: Outras Expressões, 2016. v. 2 p. 233–254.
Footnotes
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E revolucionário, pois A ciência tem um caráter inerentemente emancipatório. ↩